cancaonova.com: Como foi seu encontro com Deus?
Miguel Martini: Minha experiência foi muito interessante, porque eu sou de uma família cristã. Tenho dois irmãos que são padres e uma irmã que é freira. Meus pais são muito católicos. Mas num determinado momento da minha juventude, eu, depois de fazer a escola militar, perdi a fé por completo, fiquei numa secura e não acreditava mais em nada.
cancaonova.com: O que causou essa descrença?
Miguel Martini: Eu acredito que tenha sido a misericórdia de Deus, porque eu pensava que eu tinha fé, mas, na verdade, não tinha. E, hoje, eu sei o que é o não ter fé, posso afirmar que é horrível! Então, um dia, ao conversar com um colega de trabalho, este me sugeriu que eu falasse com Deus sobre a minha falta de fé. Naquele momento, pensei: "Mas como eu poderia falar com Alguém que, para mim, não existia?" E ele insistiu para que eu dissesse isso para Deus. E, certo dia, eu falei. Disse-Lhe que eu não sabia se Ele existia ou não, mas caso existisse, que me desse fé, porque eu não a tinha e não acreditava n’Ele. E que até queria acreditar, mas não acreditava. Estava sendo sincero.
Foi, então, que me "apareceu" um livro do Padre Jonas Abib "A Bíblia foi escrita para você". Nele, o padre falava de um Deus que é Pai, que ama e revela o amor por nós na Bíblia, mas que para conhecê-Lo era preciso assumir um compromisso. Eu li e reli aquele livro e Deus foi tocando no meu coração.
Um dia, eu preparei tudo conforme o padre havia dito: um caderno, um lápis hidrocor e a Bíblia. Eu me lembro que estava trabalhando no Radar da Base Militar de Santa Cruz. Sentei-me e falei para mim mesmo: "Hoje, eu quero assumir esse compromisso com Deus. Eu quero conhecer esse amor do Pai que me ama". De lá para cá, já são 26 anos de mudanças na minha vida. A partir daí, Deus fez de mim tudo o que sou hoje.
cancaonova.com: Há quanto tempo o senhor participa do movimento carismático?
Miguel Martini: Eu conheci a Renovação Carismática no Rio de Janeiro, mas ainda não conhecia os carismas. Então, quando cheguei em Belo Horizonte, recebi o dom de línguas num grupo de oração. Depois desse dia, fui me envolvendo cada vez mais com a RCC e tornei-me coordenador estadual desse movimento. E, em seguida, fui chamado por Deus a fundar uma comunidade, e o trabalho foi crescendo. Tornei-me membro do Conselho Nacional da RCC e Coordenador da "Evangelização 2000", com projetos sociais.
Logo surgiu a necessidade de largar a carreira militar, para ficar por conta da obra de Deus, mas Ele me chamou para a Política.
cancaonova.com: Como foi exatamente que a política surgiu na sua vida?
Miguel Martini: Depois da Exortação Apostólica Christifideles laici, no qual a Igreja convocou os leigos para dizer que, embora a política fosse um lugar de perigo moral e de corrupção, não justificava que os cristãos não fizessem parte dela. Um dia, Deus nos levou a uma adoração, nos prostramos diante do Santíssimo e eu vivi uma experiência profunda com Ele e disse-Lhe que não queria ser deputado, mas pregar a Palavra d’Ele e continuar servindo na Igreja, como estava fazendo.
O Senhor esperou por meu esvaziamento total e, nesse momento, uma irmã disse que tinha uma citação bíblica para mim: "Ele convocou os Seus companheiros a lutar nobremente em defesa da pátria, do templo, da fé e dos direitos dos cidadãos" (Macabeus 13,14). A partir daí veio a eleição e eu já estou no terceiro mandato.
cancaonova.com: O senhor é fundador do CRESAP (Comunidade Santo Antônio de Pádua). Como é o trabalho dessa comunidade?
Miguel Martini: Nós fazemos muitos trabalhos sociais, porque além de ser deputado e pregador, eu já faço parte da obra do "Mário Pena", onde temos dois hospitais, duas casas de apoio, campus universitários, onde são atendidos cancerosos de todo o Estado de Minas Gerais. Temos também uma obra social na própria comunidade que atende pessoas idosas, e colabora na geração de emprego e trabalho de formação e evangelização. Temos ainda uma Rádio comunitária.
cancaonova.com: É possível ser cristão engajado na política?
Miguel Martini: Claro que é possível. Nós rezamos: "Envie seu Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra". Então, se nós cristãos não formos os renovadores da face da terra, quem será? Nós temos a tradição apostólica, o Cristo Eucarístico, o Espírito Santo que nos dá força, a comunhão dos santos, Maria, a Onipotência intercessora. É claro que é para pregar, mas para isso é preciso ser santo, ser um servo do Senhor.
Eu estou na política, porque Deus me chamou para ser assim, e a minha maior motivação é a alegria de ser Seu instrumento. Com o trabalho social, eu consigo atingir 700 mil procedimentos no hospital, como o tratamento do câncer. Tenho um orçamento de quase R$ 70 milhões de reais por ano e quase mil funcionários, mas atinjo números muito reduzidos. Já como Deputado Estadual, uma lei que eu faça, consigo atingir 18 milhões de mineiros.
cancaonova.com: O senhor, por ser um Deputado e também um homem ligado à Religião, já sofreu algum tipo de discriminação ou alguma crítica em relação a isso?
Miguel Martini: Muitas. Para se ter uma idéia, eu sou um pregador e nunca deixei de sê-lo. Mas o dia em que deixar é porque Deus já me chamou, porque a minha alegria é essa. E já deixaram de me chamar para pregar, por eu ser Deputado. As pessoas pensam que tudo o que eu quero, tudo o que faço é por causa da eleição, mas é uma discriminação que está na cabeça das pessoas, porque não querem juntar fé e política. No primeiro mandato, as pessoas profetizaram todas as desgraças possíveis para mim. Diziam que eu havia sido eleito coordenador e pregador só para me eleger Deputado e que, em pouco tempo, eu esqueceria tudo, largaria a pregação, a comunidade e a minha família.
cancaonova.com: Em algum momento, o senhor sentiu vontade de largar a Política?
Miguel Martini: Eu pensei em largá-la muitas vezes; mas a Igreja, nunca! As pessoas queriam muito que isso acontecesse, mas, na verdade, eu sabia que isso era uma tentação de satanás. Então, passou o segundo mandato e eu continuei o mesmo. Veio o terceiro, e ainda continuava casado com a mesma mulher, com os dois filhos, na mesma comunidade e pregando a Palavra de Deus. Então, começaram a perceber que eu era um homem sério e ficaram sem argumentos para me atacar. Contudo, eu não posso culpá-los, pois todo mundo é desconfiado com a Política. Hoje, ligamos a TV e vemos corrupção; começamos a ler um jornal, só corrupção...






