As aulas começaram, mas nem todos os alunos foram para a escola. Mas não é porque os pais não têm condições e muito menos porque são relapsos e não se preocupam com os filhos. Pelo contrário. A preocupação com a qualidade da educação é tanta que resolveram educar os filhos em casa.
Essas famílias estão atentas à proibição dessa prática pela Lei de Diretrizes e Bases (LDB), diferentemente do que ocorre em alguns países europeus e nos Estados Unidos, onde a prática é legal. Mas estão firmemente dispostas a lutarem pelo direito de fazer as coisas da maneira que consideram ser a melhor para os filhos.
É o caso do educador Cláudio Oliver, de Curitiba, no Paraná, e do designer Cléber de Andrade Nunes, de Timóteo, no Vale do Mucuri, em Minas, que aguardam pela aprovação do projeto de lei nº 3.518/078, dos deputados Henrique Afonso (PT-AC) e Miguel Martini (PHS-MG), ou da proposta de emenda à Constituição (PEC) nº 444/2009, de autoria do deputado Wilson Picler (PDT-PR), que estão sendo avaliadas na Câmara. As duas propostas pedem que seja autorizada a educação em casa, desde que os filhos sejam avaliados na escola, para comprovar a eficácia do ensino.
Liberdade. Cláudio Oliver é educador e pai de Giovana, 6, que aprendeu a ler e escrever em casa. Ele vive em um condomínio em Curitiba, onde é o síndico. Faz palestras sobre educação e é coordenador da organização não-governamental (ONG) Casa da Videira, que estimula a agricultura urbana.
Para Oliver, a escola massifica as pessoas. "Não quero isso para minha filha. Nenhuma instituição terá condições de formá-la como ser humano. Acredito que ela tem melhor formação vivendo em comunidade", explica. Segundo Oliver, Giovana participa intensamente da vida dos vizinhos, amigos e da ONG. Ela aprende conforme as situações vão surgindo no cotidiano.
Já os filhos de Cléber Nunes, de 15 e 16 anos, que estudam em casa com o pai, já passaram no vestibular para direito. "Mesmo assim, fui condenado pelo Ministério Público a pagar 12 salários mínimos e a matricular meus filhos na escola".
Proposta tem 200 adesões
"Há casos em que os pais mudam muito de cidade por causa da profissão. Então, não é só caso da escolha dos pais, às vezes há necessidade de ensinar em casa. Por isso, mais de 200 parlamentares já assinaram a proposta", diz a advogada Damares Alves, assessora jurídica do deputado federal Henrique Afonso, um dos autores do projeto que propõe o ensino em casa. (JH)






